Dois cafés e a conta, com Guilherme Wentz e Rafael Gehrke

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Guilherme e Rafael são os sócio-fundadores por trás da WENTZ. Em uma conversa rápida, falamos sobre um pouco de memórias, desejos e o que eles esperam sobre o futuro do design.

– Guilherme, designer, e Rafael, empresário. Como a parceria surgiu?

Somos amigos há mais de 20 anos. Crescemos em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e o esporte e a música sempre foram pontos em comum entre nós. Principalmente as viagens para surfar, onde podíamos imergir ao máximo no mundo que gostávamos de viver.

Depois da escola Rafael foi morar na Califórnia e quando voltou começou uma carreira corporativa, dentro de empresas multinacionais, viveu em diferentes cidades do Brasil, o que fez nos afastarmos por um tempo.

Guilherme começou uma carreira de administração, mas logo percebeu que não era o que queria para o seu futuro. Começou a estudar design, trabalhou com algumas marcas locais e se mudou para São Paulo para montar seu estúdio.

Há 4 anos nos reencontramos e encontramos uma vontade em comum de quebrar os paradigmas de vida que havíamos criado para nós mesmos e resgatar a essência do estilo de vida que tínhamos lá atrás. Criando assim um negócio realmente autoral, em que também poderíamos combinar o perfil e background de cada um.

– O que significa para vocês o desejo de ter uma marca de design autoral?

Ter uma marca autoral é deixar de lado a pretenção de criar o melhor produto do mundo, mas sim construir um pensamento através do design e encontrar do outro lado pessoas que se identifiquem com a filosofia e acreditem no produto como forma de expressão no seu próprio estilo de vida.

Além disso, é, refletir essa construção de pensamento na cultura da empresa. Utilizando o mínimo de recursos possíveis, colaborando com fornecedores e profissionais que dividam os mesmos valores e quebrando pensamentos tradicionais em busca de algo realmente significativo para nós.

 

– Como isso se reflete no processo de criação das peças?

Tentamos ignorar demandas corriqueiras do negócio e focar no que realmente acreditamos como essencial para a construção de um estilo de vida. Pensamos em cada produto da marca como parte de uma mesma “cena”, mesclando diferentes formas e materiais para termos um equilíbrio entre o todo. Como se estivéssemos mobiliando uma casa ao longo da história da marca, ou como uma mesma coleção em processo de evolução.

“A maior parte do processo de criação dos produtos é de subtração. Subtração de informações, de recursos e de complexidades, para que o produto expresse o máximo de simplicidade, mas sem deja-vus. Em paradoxo, acreditamos que tal simplicidade dá ainda mais significado aos objetos.”

 

– O essencial, mínimo e a natureza são conceitos muito presentes na história da marca. O que isso significa para WENTZ?

A busca por uma vida mais próxima a natureza, reduzida ao essencial, mas sem abrir mão da qualidade e da cultura do mundo atual é o que nos movimenta e o que acreditamos para o futuro.

Queremos que os produtos sejam reduzidos à sua essência, tenham o máximo de qualidade de execução e que ainda deixem uma camada de significado que, mesmo sutil e inconsciente, remeta àquilo que é orgânico/natural. Um forma de quebrar as barreiras entre o conforto das cidades e a pureza do que há lá fora.

– Para vocês, como vai ser o futuro do design? E qual o futuro que vocês querem?

Conforme o interesse em design aumenta e as pessoas começam dar mais valor às suas casas como um refúgio particular e uma expressão da sua personalidade, o design vai se tornando cada vez mais plural. Mais designers e marcas vão surgir para contar sua própria história. Deixando para trás os padrões e estilos rotulados, que chamam de “decoração”.

O futuro que queremos é com menor oferta de produtos genéricos— porque já estamos cheios deles — e mais produtos significativos para a vida das pessoas.